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Era horário do recreio quando surgiu o assunto. Cada um começou a falar como era o seu pai. Até que perguntaram sobre o meu. Falei que não gostava dele porque ele me batia muito. Na verdade, eu o odiava porque ele me batia por qualquer motivo. Não era justo ele bater nos outros assim, de graça.

Marcelinho, um colega meu que queria fazer Direito, deu a ideia:

- Por que você não incrimina ele? É só conseguir provas de que ele bate em você!

Ele disse que tinha uma câmera. Era só escondê-la em algum lugar enquanto o meu pai me batia. Aí eu teria a prova que tanto precisava para ficar livre de uma vez das surras que eu levava.

No dia seguinte, Marcelinho trouxe a câmera. Eu o agradeci muito. Ele ainda deu uma sugestão:

- Faça cocô na cama dele e xingue-o quando ele vier bater em você. Será uma grande surra, mas será a última.

Fiquei grato pelo conselho. Em casa, segui o esquema à risca. Durante o almoço fui para o quarto do meu pai e desci o barrão na cama. A câmera estava registrando tudo. Quando ele chegou, durante alguns segundos parecia que não acreditava no que via. Eu fiquei esperando a torra:

- Rogerinho, o que é isso?! Você está louco, meu filho?!

Mandei ele tomar no cu. Ele, mais do que depressa, tirou o cinto para me bater. Bateu forte, mas eu agüentei porque sabia que aquela seria a última vez.

A primeira coisa que eu fiz no dia seguinte foi entregar a câmera e a fita para o Marcelinho. Me senti muito aliviado ao passar aquele material para as mãos dele. Ele disse que se encarregaria de fazer a denúncia.

Eu estava muito animado na hora do intervalo e resolvi jogar futebol. Mas não tinha gente nem pra completar um time. O pátio estava quase vazio.

Voltei para a sala. Pela janela, vi que estava quase o colégio inteiro lá. No telão passavam as cenas gravadas por mim no dia anterior: eu cagando e o meu pai me batendo. Estavam todos rindo às minhas custas, enquanto eu chorava.

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