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- Vai tomar no olho do seu cu!

Eu falava aquilo todo orgulhoso, cheio de convicção. Os palavrões foram chegando aos poucos no colégio, sem a gente perceber. Agora já estava daquele jeito, todo mundo falando palavrão a torto e a direito. Qualquer discussão já era motivo para mostrar o repertório de xingamentos:

- Não vai devolver a borracha? Então vai pra puta que te pariu!

Os professores nem estranhavam mais. Pelo contrário. Até passaram a falar palavrão durante as aulas:

- Ô caralho, vão calar a boca ou eu vou ter que enfiar uma rolha no cu de vocês?

Quase sem ver, fui levando o hábito dos palavrões pra dentro de casa:

- Que porra, mãe! Não quero almoçar, caralho!

Eu xingava muito a minha mãe, mas com meu pai era diferente. Não falava nada na frente dele, com medo de ser castigado (meu pai é um arregaçado). Até que um dia eu soltei um palavrão sem querer:

- Não quero ir pra escola hoje. - Você vai sim, que eu tô mandando! - Vou não… Seu filho da puta!

Quando ouviu aquilo, ele ficou alterado:

- Ah, é?… Agora você vai ver quem é que é filho da puta.

Ele me puxou pelo braço e me levou até o carro. Foi dirigindo até o centro da cidade. Ninguém falava nada. Quando vi, estávamos na rua Guajajaras. Ele parou o carro na frente de um “hotel” e foi me puxando até lá dentro. Disse à recepcionista que queria falar com a dona. Pouco tempo depois, apareceu uma mulher toda maquiada, usando roupas curtas.

- Aí sua mãe, Rogerinho. Você é adotado. Quem é filho da puta agora?

Meu pai disse aquilo rindo na minha cara. Por um momento eu quis acreditar que não era verdade, mas quando a dona me abraçou e começou a chorar eu perdi a esperança.

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