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Meu pai disse que Papai Noel existe. Que otário… Já cansei de ver ele vestido de roupa vermelha e barba branca no natal. Ele pode até enganar o meu irmão, mas eu não caio mais nessa.

- Será que você vai ganhar o seu presente, Rogerinho? O Papai Noel vai olhar se você foi bem na escola, hem!

Bobobó bobobó bobó bobó… “O Papai Noel vai olhar se você foi bem na escola, hem!”. Era véspera de natal. O meu pai colocou pra tocar o dia inteiro umas músicas características. Que saco! Já tinha até decorado a letra de tanto ouvir aquilo: “Então é natal, o que você fez…”. É… Ele ia ver o que eu ia fazer!

Quando era perto da meia-noite, me escondi atrás do sofá da sala. Eu ia desmascarar o meu pai. Levei o meu taco de basebol para me defender (o meu pai podia se irritar ao ser descoberto). Estava tudo escuro. Todo mundo tinha ido dormir.

Ouvi um barulho vindo da porta dos fundos. Com certeza era o safado do meu pai. Ele estava ridículo com aquela fantasia de Papai Noel! Eu só não rir alto para ele não perceber que eu estava escondido. Ele ia ter uma grande surpresa. Ah, se ia!

Enquanto ele colocava os presentes debaixo da árvore, me aproximei rapidamente com o bastão empunhado. Rapidamente, puxei aquela barba branca escrota para desmascará-lo. Mas a merda da barba estava muito bem colada - não saía de jeito nenhum.

O suposto Papai Noel, em um movimento de reflexo, tomou o bastão da minha mão.

- Tá doido, menino? Agora você vai ver uma coisa!

Fiquei assustado, porque nem a voz nem a barriga dele parecia com a do meu pai. Podia ser um ladrão fingindo que era o Papai Noel.

Tentei correr para os fundos da casa, mas o velho me segurou e tampou a minha boca. Depois, abriu cuidadosamente a porta e me levou pra rua. Amarrou-me cuidadosamente na frente de um trenó. Disse que eu o atrasei e agora teria que ajudá-lo a entregar os presentes.

Ele tirou o cinto e ficou segurando a calça pra ela não cair. Sentou no trenó e começou a bater em mim com o cinto. Gritava: "Ho ho ho, ho ho ho!", como se aquela situação humilhante a que ele me submeteu fosse divertida pra ele.

Eu perguntei: “E os veadinhos?”. Ele disse que eles não iam trabalhar esse ano porque estavam comemorando o título do Cruzeiro. Eu ri. Já não estava mais com raiva. Ele tinha um grande senso de humor.

O trenó voava mais rápido a cada chicotada que ele me dava. Parecia um sonho. Conversamos muito durante a viagem ao redor do mundo. Foi uma ótima oportunidade que tive de enriquecer culturalmente.

Quando tínhamos acabado todas as encomendas, o Papai Noel puxou as minhas rédeas pra me deixar na porta de casa. Na certa ele ia perguntar o que eu ia querer de presente. Depois de ajudar tanto, ele devia querer me dar um presentão!

Quando pousamos, ele perguntou se eu fui bem na escola durante o ano. Eu respondi que mais-ou-menos. Ele deu uma risada gostosa:

- Mais ou menos não ganha presente!

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