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Um ano se passou e durante esse tempo a polícia investigou, investigou e não resolveu o misterioso caso do sumiço de Harry Portinha e das duas barangas. E durante esse tempo todo, Seu Ferreirinha desfiava um festival de impropérios lamentando o sumiço de seu pupilo:

- Puta que o pariu! Vai tomá o oío do cú! Como é que pode!! A gente preparou tão bem a porra do Portinha e ele se fode assim!!! Fedaputa!!

Certo dia, depois de tomar um porre daqueles - daqueles que tomava todo dia - Seu Ferreirinha caminhou cambaleante ao banheiro do bar para chamar o tradicional Juca. Nisso aconteceu algo estranho. Do ralo do banheiro, Seu Ferreirinha escutou uma voz que dizia:

- Nó!! Ó o cara!!! Nunca vi chamar Juca assim!! Que merda!

Apavorado e vomitado, Seu Ferreirinha cagou nas calças e saiu correndo do banheiro. Mas, não foi longe: caiu desmaiado dois passos do lado de fora.

À noite foi realizada uma reunião de emergência da Academia. Em meio um lauto banquete de dobradinha bem apimentada com cerveja preta, seu Ferreirinha relatou o ocorrido:

- Porra! Pensa gente!! De repente é a alma penada do Harry! Será que o Harry tá querendo entrar em contato com a gente?

- (Cusp!!) Ré! Ré! Eu cuspi mais longe que ocê dessa vez!

Genésio da Pedreira retrucou:

- Cê para de cuspir, Chicória!! Que merda, sô!! Ó, só tem um jeito de saber. Vamo fazer um teste: a gente joga um litro de cachaça no ralo do Ferreirinha. Vamo ver o que acontece...

Nisso, Seu Ferreirinha, que estava meio distraído tirando cuspe do sapato, interpelou nervoso: - Ô gente, no meu rabo não!! A minha hemorróida tá atacada hoje!

- Eu falei “ralo”!!!! O ralo do seu banheiro, animal!! Vamos lá!!

Pegaram a pinga mais ordinária do estoque do seu Ferreirinha. Misturaram ainda cerveja podre e umas casquinhas de torresmo do balcão do bar. E despejaram tudo no ralo. Para a surpresa de todos, sai de lá uma vozinha gritando:

- “Eita!! Tem mais?”

Com muito custo descobriram que a vozinha vinha de um rato de esgoto. Atraíram o roedor com mais goró, deram um pau no rato e botaram ele numa gaiola de passarinho. Pela manhã, quando ele acordou, Ferreirinha começou o interrogatório:

-Como é você se chama?

- Me chamo Ratatúio!

- E quem te ensinou a beber assim, hem? Eu nunca te vi mais gordo!!

- Humm, trouxa... Sou eu que faz o ovo cozido colorido aqui! E você nunca percebeu nunca isso né, seu mal agradecido!!

- Tá! Brigado!Mas como é que cê aprendeu a beber desse jeito?

- Aprendi com um humano responsa. Ele se chama Harry Portinha. Lá da danceteria Phodaz. Vou muito lá. Sabe como é... a rataiada é chegada no pancadão do Funk. Lá é cheio de gatinha, quero dizer ratinha... Cês querem conhecer ele?

A academia, exultante com a boa notícia, explicou ao rato quem era Harry e topou fazer um acordo com Ratatúlio. Em troca de três litros de cachaça com farofa podre, ele iria dar um pulo à noite no baile funk e levaria um ultimato para que Harry voltasse a tempo de disputar o Torneio Tribuxo mundial.

E lá foi Ratatúio pelos esgotos. Desceu uma rua, passou pela Praça do bairro, atravessou o córrego debaixo de uma Avenida, pegou a Avenida e foi subindo a Rua do Baile funk. Pegou um cano à esquerda achando que estava entrando no négocio, mas entrou num colégio. Saiu num vaso sanitário no exato momento que uma mulher muito gorda com uma bunda enorme “largava um barro”. Teve que fugir desesperado com um tolocão de bosta no encalço. Quando conseguiu escapar pensou consigo o quanto o Indiana Jones passou cagaço naquele filme da sessão da tarde.

E finalmente chegou na Phodaz. Um bando de maluco dançando funk. Quase foi pisoteado por um M.C., 15 delinqüentes juvenis e 12 tchuchucas barangas. E em meio a dezenas de bitucas de baseado finalmente conseguiu achar Harry:

- Mestre! Mestre! Tenho um recado importante pro senhor!

Mas Harry estava muito ocupado catando uma “gramurosa” chamada Hermi. Visivelmente fubanga, ela era banguela, meio careca, cara cheia de espinha e tinha bafo de vodca barata. O único jeito que Ratatúlio arrumou para chamar a atenção de Harry foi morder o dedão do pé de Hermi para desengatar os dois. E ela soltou o grito:

- Aiiiiiiiiiiii! Um rato me mordeu!!! Fudeu!! Um rato me mordeu!!

A galera em volta achou que a mocréia tinha criado um novo hit do funk. Ao invés de socorrê-la, empurraram ela para o palco e começaram a pedir em coro o “funk do rato que mordeu”. E ela começou a cantar:

- Aiiiiiiiiiiii! Fudeu!! Um rato me mordeu!!! Fudeu!! Aiiiiiiiiiiii! Fudeu!! Um rato me mordeu!!! Fudeu!!

Sucesso total. Enquanto isso, Harry dava uns pisões em Ratatúio que, com muito custo, passou o recado. A resposta de Harry foi a seguinte:

- Manda eles tomarem no meio do jiló deles!!

O dia seguinte foi de desânimo pro pessoal da academia. A resposta deixou todos cabisbaixos. A tristeza era tão grande que o pessoal só tomou água no resto da semana. Mas no mês seguinte, algo iria mudar tudo da água pro vinagre.

Uma tal fanática religiosa chamada Valderez começou uma campanha nos jornais, rádio e TV para que a prefeitura fechasse a Phodaz. A Phodaz seria um antro de devassidão, pornografia e sacanagem. Um bando de velha mocoronga e de maluco de hospício realizava ações radicais e, com o tempo, a pressão em cima das autoridades foi tamanha que o bicho começou a pegar. E o mais freqüente e influente funkeiro do ameaçado estabelecimento se viu na necessidade de pedir ajuda via mouse.

Na manhã seguinte, o esbaforido e esgotado Ratatúio chegou ao buteco do seu Ferreirinha e foi logo explicando “as parada”:

- O Harry precisa da ajuda de vocês!! E topa qualquer coisa!! Ele falou que a “Val é de morte”! Muié danada!!!

Mas a resposta da Academia foi negativa. Numa manobra sagaz e sacana, Valderez ameaçou chamar a vigilância sanitária para fechar os copos-sujos do pessoal, caso eles apoiassem Harry. Eles não podiam ajudar. Harry estava só, sozinho e isolado. Enfim, tava fudido!

Algum tempo se passou e chegou então o dia do confronto final. Valderez e seu séqüito de fiéis organizaram um furdunço na porta da Phodaz. Tinham como objetivo fechar de vez o empreendimento e forçar a venda para que lá se transformasse em um local "santo". A encheção de saco forçou toda a massa funkeira a se retirar, exceto uma pessoa: Harry Portinha.

- Ô Val! Vai caçar rola,vai!

- Ah! Então é você, seu bruxo da cachaça!! Seu feiticeiro do funk!! Você vai arder nas chamas do inferno!!

No momento que Harry iria começar a ser trucidado pelos fiéis da Valderez, ele rapidamente se virou para o bueiro e gritou algo estranho:

- Expeidarratus!!!

Do bueiro começaram a sair ratos e mais ratos liderados por Ratatúio. Os ratos começaram a morder os fiéis de Valderez e a subir em suas pernas varizentas. Cravaram os dentes em muitas bundas chapadas. Valderez, surpresa e transtornada, bateu em retirada na direção de uma avenida onde pegou o primeiro ônibus que passava e desapareceu misteriosamente.

Harry, passado o transtorno, resolveu juntar forças novamente com a Academia. Valderez não havia ainda sido vencida e possivelmente voltaria mais maluca ainda. E claro, não se esqueceu de agradecer às ratazanas “chegadas” de Ratatúio. Elas viraram clientes VIP da Phodaz. E ainda ganharam ingressos gratuitos para o show do MC Sírio Brega e as dementadoras do funk.

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