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BELO HORIZONTE, Minas Gerais - Neste maio de 2007 a capital mineira viveu debaixo da opressão imperialista-extrangeira-norte-americana-ianque-capitalista. O campus da UFMG na Pampulha foi palco de inúmeras repressões e violências.

A maior de todas as tiranias já presenciada na história brasileira foi a atitude fascista e ditatorial dos responsáveis pelo restaurante universitário. Os alunos eram obrigados a almoçar todos os dias naquele restaurante! Ao meio-dia em ponto uma sirene soava por todo o campus, e nesse momento a Guarda Nacional tomava posse de cada prédio e obrigava os alunos a formarem uma fila indiana e se dirigirem em silêncio até o refeitório. Ali chegando eles eram forçados a comer e, para a revolta de todos, após o almoço eles tinham que pagar! O preço era o fator mais absurdo em toda essa história de repressão, cada almoço custava R$ 2,50!

Ficheiro:Hammer and sickle.png

Mas os alunos estavam organizados! Um movimento de reação começou a nascer, primeiro nas turmas de Sociologia e Filosofia, e depois se alastrou pelos outros cursos. O estopim da revolta foi a morte de um aluno socialista que se recusou a pagar aquele valor absurdo. Fiel y Casto tinha apenas 22 anos, e cursava o terceiro período de Letras. Ele foi brutalmente assassinado! Ao tentar sair do restaurante sem pagar, um oficial da Guarda Nacional o agarrou e o levou até a Reitoria. Lá chegando ele foi amarrado num tronco e chicoteado pelo próprio reitor da UFMG. Depois ele foi jogado ao chão, e um dos administradores do restaurante pisou e chutou várias vezes a sua cabeça - ele usava uma bota que fora do seu avô italiano, um antigo militante fascista. Depois de toda essa surra ele teve sua cabeça decepada, e a mesma foi exposta na principal entrada do restaurante, como forma de inibir novas manifestações anárquicas.

O movimento de reação ganhou forças após o assassinato do mártir Fiel y Casto. Eles batizaram o grupo de “Massa Coletiva Socialista em Prol da Liberdade Estudantil de Pular-a-catraca-e-não-pagar-o-almoço” ou, simplesmente, Movimento Pula-Catraca. A fundação da Massa foi no dia 17 de abril de 2007, data da morte do glorioso aluno de Letras. Houve uma adesão em massa dos alunos a partidos de índole socialista, como o PSTU, PSOL, PT, PSB, PCdoB, PCB, PPS, PDT, PCO, etc. O grupo que mais recebeu filiações foi o PCR, Partido Comunista Revolucionário, de forte apelo foquista, chavizta, evoísta e orteguista, fundado e dirigido por uma enorme parcela de membros do corpo docente da UFMG. O brado do PCR era: “Professores e alunos unidos, jamais serão fudidos!”.

Uma grande manifestação aconteceu após um mês do martírio daquele glorioso aluno. Tudo começou com uma reunião nas primeiras horas do dia 17 de maio, no “Auditório Che Guevara”. Uma espécie de culto ecumênico foi celebrada com a presença de padres, freiras e pastores adeptos da Teologia da Libertação. O momento culminante da celebração foi a partilha da bandeja de maconha e cocaína, onde todos repartiram fraternalmente uma porção de droga, professores, alunos, funcionários e simpatizantes do Movimento Pula-Catraca. Após esse momento solene, alguns líderes se manifestaram. Leonardo Boff foi sucinto e claro: “Hoje o deus cósmico, cristo-orixático, se manifesta na diarréia mística dos incensados! O fluido fecal, imanente e peremptório, penetra, invade e perpassa todas as coisas! Tudo são todos, todos são um! Fezes amém!”. Uma forte salva de palmas encerrou as palavras do místico teólogo. Frei Betto afirmou: “Hoje muitos de nós morreremos pela liberdade das futuras gerações! Pulemos a catraca! Pulemos a catraca! Pulemos a catraca!”.

Na parte de trás do auditório alguns padres e religiosas se ofereciam para relaxar os mais exaltados. As freiras atendiam as mulheres, e os sacerdotes os homens. Embora os padres manifestassem predileção por aqueles menores de 12 anos, acabaram cedendo às pressões e ajudaram muitos que estavam nervosos, aflitos e agressivos a relaxarem um pouquinho. Foi emocionante toda aquela partilha fraternal, a consagração do sentido mais literal e bonito da palavra “com-cu-unidade”. Quantas cu-uniões foram celebradas ali!

Após o culto e-cu-mênico os manifestantes se dirigiram à Praça da Revolução Vermelha, no centro do campus. Muitos estavam armados com metralhadoras, fuzis, pistolas, granadas, bombas e munições presenteadas por grupos guerrilheiros palestinos, companheiros da mesma luta, da mesma catiguria. Eram milhares de pessoas! Todas gritavam em uníssono: “Abaixo a opressããoo! Não quero pagar nããoo!” Inúmeras personalidades socialistas marcaram presença nesse majestoso confronto. Brizola (o espírito), Heloísa Helena, José Dirceu, Palocci, Marta Suplicy, Luiz Ignácio Lula da Silva, Che Guevara (o espírito), Fidel Castro (o quase-espírito), Hugo Chávez, Rafael Correa, Evo Morales (sempre com um papelote de cocaína no bolso), Daniel Ortega, Stálin (o espírito), Kim Jong-Il, Mao Tsé-Tung (o espírito), Yasser Arafat (o espírito), dentre outros ilustres.

A luta armada durou cerca de quatro horas. Milhares de soldados da Guarda Nacional foram mortos. O reitor da UFMG e os demais administradores foram enforcados em plena Praça da Revolução Vermelha. Infelizmente, cerca de trinta militantes morreram durante a batalha. Todos eles são celebrados como mártires da nobre causa do Movimento Pula-Catraca.

Após a vitória do Movimento houve o tão esperado pronunciamento do carismático líder cubano, Fidel Castro. Ele discursou durante sessenta horas, elogiou a bravura dos guerrilheiros, e lamentou a morte de alguns militantes.

Uma Junta Estudantil Socialista foi organizada para administrar o campus da UFMG e o restaurante. Diversas medidas foram votadas e aclamadas pela população universitária. A maconha e a cocaína foram liberadas para uso em qualquer local do campus. Os gays e as lésbicas ganharam banheiros próprios só para eles. Foi permitida a prática de sexo grupal em algumas instalações do campus, especialmente nos prédios da Psicologia. Por todo o campus foram afixados imensos cartazes com lemas socialistas e revolucionários. Alguns dizeres: “Fiel y Casto é o nosso herói!”, “Abaixo a opressão! Não quero pagar não!”, “Todo mundo é homossexual, de certa forma!”, “Maconha é ecologicamente correta, é natural!”, “Abaixo o fascismo!”, “Che Guevara vive!”, “Se o Papa fosse mulher, o aborto seria legalizado!”, “Salvem as galinhas, os bois e os porcos da opressão imperialista dos donos de frigoríficos!”, “Jesus é um Orixá!”, “Maria é um Orixá!”, “Você já escolheu o seu guru da Nova Era?”, “Massa de Mulheres Negras denunciam o roubo que é a conta da CEMIG!”, “Morte a Israel e aos judeus!”, “Viva o terrorismo palestino!”, etc.

Mas, dentre todas essas fascinantes medidas, a maior vitória dos revolucionários foi conseguir abaixar o preço do almoço de R$ 2,50 para R$ 0,70!

Viva a Revolução!

Belo Horizonte, 21 de maio de 2007.

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